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Anos-luz: Carminho & Carmen

em 20/04/23


O meu primeiro post neste blog foi em 2009, ano em  que Carminho foi registado em duas meninas portuguesas. Os meus dados dizem-me que foram os primeiros registos do século XXI e eu acredito, uma vez que Carminho era encarado apenas e só como diminutivo de Maria do Carmo, nome bastante comum em Portugal mas que, à época, tinha caído muito em desuso [em 2009 foram registadas 8 bebés com o nome Carmo]. 

O percurso espantoso de Carminho foi acompanhado aqui no blog com muita atenção. Debatemos se seria demasiado informal, demasiado infantil, abriu portas para posts sobre nomes diminutivos, debatemos se o uso de diminutivos seria desrespeitoso... Desafio-vos a espreitarem os posts, nem que seja só para verem os títulos, perceberem o contexto e relembrarem o que motivou esta popularidade. Concluíndo, Carminho foi, na minha opinião, um dos nomes marcantes da década e se, no início do próximo ano, o visse no top 20, não ficaria propriamente surpreendida, ainda que os últimos dados que tenho demonstrem apenas que, em  2018, já tinha ultrapassado os duzentos registos anuais e ocupava a 36.ª posição do ranking, o que é manifestamente impressionante. 

Ora, este período de efervescência de Carminho não afectou muito Carmo, que em 2018 não passou dos 25 registos. E, por aproximação, também não impulsionou o uso de Cármen, que se manteve sempre estável, próximo dos 20 registos anuais. Em tempos relativamente recentes, Cármen teve um pico de popularidade na década de 70, o que ajuda a explicar por que motivo foi desaparecendo das maternidades. Além disso, Carminho beneficiou de um regresso aos nomes medievais, num momento em que parecíamos querer resgatar a identidade portuguesa, enquanto que Cármen talvez remetesse com facilidade para Espanha - onde, aliás, ocupa a 14.ª posição do ranking. 

Portanto, pode-se dizer que Carminho & Cármen estão a anos-luz um do outro em termos de popularidade e naquilo que, numa primeira análise, transparecem. No entanto, pergunto-me se não teremos aqui um nome com bastante potencial para os anos que aí vêm. Já demos conta de uma tendência que nos encaminha para o regresso de alguns nomes retro e não seria o primeiro nome de influência hispânica de que falaríamos. Além do mais, Cármen - ou melhor, Carmen, sem acento, que também pode ser registado - é um nome bastante reconhecido internacionalmente, o que é um bom ponto a favor. 

O que é que vocês acham de Carmen? 


Anos-luz: Amélia & Adélia

em 26/10/20

 


Amélia é um dos nomes mais acarinhados por mim aqui no blog e é um dos meus nomes preferidos do nosso top 100. Já escrevi tanto e tão bem sobre ele, sobre a sua doçura e feminilidade, mas será que se poderia dizer o mesmo de Adélia? Apesar das evidentes semelhanças, acho que são de estilos completamente diferentes, sendo Amélia mais vintage, enquanto que Adélia, que também é um velho conhecido das mulheres portuguesas, seria mais  retro. Como sabem, esta última categoria tem sido muito explorada aqui nos últimos meses e as reações são bastante positivas. Não creio que Adélia possa surgir na qualidade de alternativa a Amélia, mas apesar de estarem a anos-luz um do outro, será que o crescente uso de Amélia, associado ao ressurgimento de alguns nomes retro, poderia suscitar algum interesse por Adélia? 

Anos-luz: Carla & Clara

em 22/09/20


Durante os meus tempos de miúda, na década de 90, não havia outro nome tão popular quanto Joana. Mas havia outros nomes que, não sendo tão comuns, se repetiam em todas as salas, e um deles era Carla, cujo auge da popularidade terá ocorrido na década de 70, num momento em que Carlos também ocupava os lugares cimeiros do nosso ranking. 

Carla é contemporâneo de Anabela, Andreia, Cristina, Paula, Sandra, Sónia e Susana, que ainda hoje constam da lista anual de registos. Nos últimos anos, têm sido escolhidos para menos de 30 crianças por ano, números que possivelmente irão descer ainda mais e não me parece nada provável que regressem a médio prazo às nossas maternidades. Ainda assim, não deixa de ser curioso que Carla seja anagrama de Clara, um dos nomes mais queridos do momento! Tão parecidos e, ao mesmo tempo, a anos-luz um do outro! 

Anos-luz: Téo, António & Teotónio

em 16/03/20


Da maneira que isto está, até as coisas mais imagináveis passam a parecer possíveis, mesmo que apenas por poucos segundos. E então se, hipoteticamente, rendidos como estamos a António e a olhar para Téo com o carinho de quem já está familiarizado com Noa & Noah, Ema & Mateo, seria possível olhar para Teotónio com o mínimo de simpatia? 

Anos-luz: Camila & Dalila

em 16/01/20


Haverá mesmo alguém em Portugal que não simpatize com o nome Camila? É que parece quase impossível! É um nome que passamos a ouvir com muita frequência, na escolinha da Frederica é dos que mais se repete e parece mesmo ser um daqueles nomes que agrada na generalidade. E é engraçado, porque até ao ano 2000, não era muito provável encontrar uma jovem adulta portuguesa chamada Camila... 
Como gostamos tanto de Camila, parece-me ainda mais lamentável que não canalizemos algum deste amor na direcção de Dalila. Digam-me vocês, mas acho que tudo aquilo que gostamos em Camila está presente em Dalila, desde o ritmo à suavidade, sem que ninguém pareça reparar... Mas não perco a esperança e talvez agora, com a popularidade de nomes como Eva, Helena, Aurora e Olívia, possamos começar a encarar Dalila como um potencial par perfeito! 

Anos-luz: Alda & Mafalda

em 22/10/19


Como imaginam, estou muito atenta à forma como a Frederica reage aos nomes próprios ao seu redor e já vos relatei aqui a sua preferência por Joaquim & Aurora. Mas, desde que entrou para a escolinha, gosta particularmente de Alda. Apesar de não ser muito comum, é o nome mais repetido entre as pessoas que conhece. Alda é o nome de uma das minhas tias, com quem a Frederica convive diariamente; é também o nome da auxiliar da salinha dela, de quem gosta muito e, além disso, é o nome de uma menina lá da escola. 
Alda é um nome que me agrada e consigo perfeitamente imaginá-lo junto de outros nomes mais contemporâneos, até por associação a Mafalda, que é um dos meus nomes preferidos para meninas. Meu e de muitos portugueses, já que, nos últimos 30 anos, foram registadas mais de 13 mil! E, no campo da popularidade, os medievais Alda & Mafalda estão a anos-luz... Alda é hoje raríssimo [3 registos em 2018] e Mafalda está no top 25! 
Quem sabe se um dia, no futuro, a minha priminha Maria Inês não tem vontade de homenagear a avó... Não sei se vocês sentem o mesmo, mas eu tenho cada vez mais certezas de que o meu estilo de nomes está intimamente ligado à minha infância!

Anos-luz: Manuel & Emanuel

em 11/09/19


Há umas semanas, escrevi que considerava Manuel como o clássico dos clássicos dos nomes portugueses. É um nome muito comum na nossa sociedade, transversal e que tanto pode ser encarado como um nome muito simples, como um nome muito distinto. Manuel é tão apelativo para nós, que até Manel se tem imposto como nome próprio e encaro Manoel com alguma expectativa. 
Nos últimos 50 anos, algum do fascínio de Manuel estendeu-se até Emanuel, nome com uma enorme carga religiosa, que esteve no top 50 até 1997 e que só desceu da marca dos cem registos anuais em 2005. Os nomes são extremamente semelhantes, mas aquele E faz muita diferença. Atendendo à diferença do número de registos de hoje [550 de Manuel, contra 43 de Emanuel], diria que, para a maioria das pessoas, a letra E é prejudicial. Para mim, embeleza o nome, que passa a soar de forma muito mais delicada. Porém, não o prefiro a Manuel, precisamente porque o que me atrai nos nomes não se esgota no seu som ou no grafismo e o significado social de Manuel está muito para lá da sua beleza.
Apesar de considerar que se encontram a anos-luz um do outro, acho que caminhamos para uma fase em que Emanuel pode voltar a ser uma opção interessante. E já que falamos em opções interessantes, acham mais cativante Emanuel ou Manuela?

Anos luz: Mariana & Ana Maria

em 08/08/19


Tenho imensas tias, quase todas têm Maria no nome e por isso fica de fora destas contas, mas o nome mais repetido naquelas que me são próximas é Mariana. Creio que é um nome muito consensual, que se foi impondo como uma alternativa mais moderna a Maria, e não espanta que nos últimos vinte anos tenha conseguido substituir Joana nas preferências dos portugueses. Para terem uma ideia da sua popularidade, está no top 10 desde 1994 e só no ano passado é que baixou do patamar dos mil registos anuais. Mariana é já um clássico contemporâneo, sendo um nome transversal. Longo, delicado e muito feminino, é mais que certo que Mariana não vai deixar de se ouvir num futuro próximo. 
E se Mariana se mantém tão jovial e cheio de vitalidade, Ana Maria parece condenado à extinção. É exagero, ainda foram registadas cerca de 50 em 2014 mas, por comparação, parece demasiado antiquado. Pessoalmente, gosto muito mais de Ana do que de Maria - e juro que não é por ser o meu nome. Hoje então, face à popularidade de Maria, sinto-me sempre tentada a perguntar aos pais se ponderaram usar Ana, mas depois lembro-me que a probabilidade de este ser o nome da mãe ou de uma tia é gigante e rendo-me às evidências de que é uma batalha perdida. Mas sou a primeira a admitir que, apesar de ser quase a mesma coisa, Mariana & Ana Maria não têm nada a ver. Não o acho feio, longe disso, há tanto nome feio em circulação, mas parece-me pouco apelativo, quase monástico. É, estão a anos luz. 

Anos-luz: Cândida & Benedita

em 11/07/19


Já aqui o escrevi várias vezes: parece que achamos que agora é que se usam nomes bonitos, que os pais de agora é que têm extremo bom gosto mas, no fundo, no fundo, andamos apenas a repetir padrões. Hoje, os portugueses estão absolutamente apaixonados por Benedita, um nome comum noutros séculos, mas que pouco se usou no século XX. O longo e delicado Benedita, que se seguiu a nomes como Madalena e Rita, apela às nossas raízes católicas, é virtuoso... Como é que ninguém se lembrou dele antes dos Morangos com Açúcar?! Bem, talvez estivéssemos ocupados a fugir a sete pés de Cândida, esse nome virtuoso, longo e delicado, que foi muito comum na geração das nossas avós e tias! Novamente, padrões e conotações! Benedita & Cândida até podiam andar lado a lado, mas... Não têm nada a ver! 

Anos-luz: Mara & Amaro

em 26/06/19


Nas últimas décadas, os portugueses apaixonaram-se por Sara e depois por Lara, pelo que quando se deixaram conquistar por Mara, não houve surpresa. Em 2016, Mara chegou a estar no top 20, e mesmo que tenha dado um grande trambolhão, estando agora na 40.ª posição, continua a apresentar bons resultados. E nós, que tantas vezes comentamos aqui que há um défice de nomes delicados masculinos, não estaremos a perder uma boa oportunidade para falar de Amaro? Bem, da primeira vez que aqui escrevi sobre Amaro, terminei o post com a palavra antiquado. O post é de 2012, na altura estávamos todos mais concentrados nos nomes aristocráticos e Mara & Amaro estavam, sem sombra de dúvida, a anos-luz um do outro. E talvez ainda não tenha passado tempo suficiente para que toda a gente consiga ver este nome de outra forma, mas eu acho que tem imenso potencial e já o incluí nas minhas listas de sugestões para os próximos anos

Anos-luz: Tomás, Matias & Tobias

em 04/06/19


Quando comecei a escrever o Nomes e mais Nomes, em 2009, nunca me tinha deparado com um ranking de nomes populares em Portugal mas tinha a certeza de que, naquele momento, Tomás era um dos mais escolhidos, porque o ouvia em todo o lado! Hoje sei que era verdade e que esse foi mesmo o período áureo de Tomás: em 2008, ultrapassou os dois mil registos e esteve os três anos seguintes no 5.º lugar da tabela de nomes masculinos mais registados em Portugal. Sendo tão popular, era um nome pouco abordado por aqui, já que o meu foco era outro. 
Matias, por seu lado, era uma constante nas minhas listas de sugestões, porque achava que tinha tudo para conquistar os pais que gostavam de Tomás, Martim & Mateus, mas que não queriam um nome tão popular. Passados dez anos, continuo a achar o mesmo. Matias está atualmente na 42.ª posição, com pouco mais de 200 registos e está na linha da frente da nova tendência dos nomes masculinos. 
E voltando a 2009, a Filipa de então seria muito capaz de vos recomendar Tobias como alternativa aos dois anteriores. Para ser exacta, a Filipa de 2014 também. Se gostamos de Tomás, se gostamos de Matias, não podemos gostar de Tobias? É antigo, é bíblico, é internacional... Mas a resposta honesta é Não. Porque apesar de ser parecido, não é bem a mesma coisa. Tobias está para Matias como Clotilde está para Matilde. Muito próximo, mas... a anos-luz. 

Anos-luz: Laurinda & Valentina

em 04/04/19


Durante décadas, Laurinda [que tem origem em Lauro, nome dado anteriormente ao loureiro, símbolo da vitória] foi um dos nomes para meninas preferidos dos portugueses, desfrutando de uma popularidade semelhante à de Laura. No entanto, com a chegada da década de 70, os nomes terminados em -inda sofreram um duro golpe e, neste momento, estão em desuso. O mais popular de 2018 foi Melinda, alvo de 11 registos, com o contributo da recente escolha de Michel Teló; Deolinda, outrora imensamente popular, foi escolhido para 3 meninas e Laurinda foi registado uma única vez. 
Com a excepção de  Carolina & Catarina, os nomes terminados em -ina também foram sendo deixados de lado mas, surpreendentemente, Valentina, que em 2010 eu incluiria no mesmo lote de Albertina, está hoje pujante no top 50. Este reaparecimento súbito foi impulsionado pela sua enorme popularidade no Brasil e é a prova viva de que é possível ultrapassar a nossa alergia crónica ao "demodé", desde que haja um pequeno incentivo! 

Anos-luz: Matilde & Clotilde

em 28/02/19


A minha sobrinha Matilde tem agora 14 anos, mas lembro-me de um dia lhe ter referido o nome Clotilde e de ela achar que eu o tinha inventado. Clotilde nunca foi um nome muito popular em Portugal e não me parece totalmente descabido que as gerações mais novas nunca o tenham ouvido, tal como possivelmente nunca terão escutado Mavilde
Apesar de estar próximo do super popular Matilde, Clotilde não tem o mesmo prestígio e acho difícil que algum dia volte a ser uma séria opção para as meninas portuguesas. Mas, a acontecer, até poderia ser agora, quando nos sentimos atraídos por Chloe

Anos-luz: Olívia & Olímpia

em 09/01/19


Aqui estamos nós de volta com dois nomes que, aparentemente, têm tanto em comum, mas que não cativam os portugueses [e não só] da mesma forma: em 2017, Olívia ficou no top 70 de nomes femininos mais escolhidos enquanto que Olímpia não é registado como primeiro nome desde 2008. 
Esquecendo tudo o que nos rodeia e que influencia a forma como vemos os nomes, acho-os bastante similares, não só fonética e graficamente, mas também em estilo. E se tivesse que escolher um preferido, até acho que Olímpia soa melhor, é mais doce e suave. Mas a escolha de um nome está envolta num contexto e a era da imagem trouxe-nos a Olivia Wilde, a Olivia Palermo e, sobretudo, a Olivia Pope e acho que isso contribuiu muito positivamente para a forma como olhamos para Olívia! 

Anos-Luz: Vicente & Clemente

em 06/12/18


Se as práticas de nomeação fossem lógicas, não tinham piada nenhuma. E eu não dedicaria tantas horas a pensar no que leva a população a apaixonar-se por um nome, ignorando, ao mesmo tempo, outro muito semelhante. 
Vejamos o caso de Vicente, um nome que está a atravessar a fase de maior popularidade de sempre, e de Clemente, que foi escolhido uma única vez em 2017. Ambos são nomes de origem latina, remetem para adjectivos aspiracionais [vencedor e bondoso], estão presentes na onomástica portuguesa desde sempre, estão  na lista de nomes dos Infantes de Portugal, são ambos comuns enquanto apelidos, atravessaram o século XX com níveis de popularidade semelhantes... e é o que se sabe. 
Mas eu até acho que haveria espaço para Clemente: o facto de ser literal não tem sido problema para Clara ou Salvador; estaria bem junto de Benedita, Constança e até de Madalena. Ou poderia beneficiar da popularidade de Santiago & Francisco, pela ligação à Igreja Católica. 

O homem da foto é o supermodelo francês Clément Chabernaud, que nasceu nos finais da década de 80, quando Vincent era um dos nomes masculinos mais populares na França. E se hoje Vincent está fora do top 100, Clément ocupa um distinto 36.º lugar, como vimos aqui há um par de meses. Quem sabe se daqui a vinte anos não estamos na mesma situação...